PARECER TÉCNICO: ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE

Como Médico Fisiologista e Ortopedista, com vários anos de prática em Fisiologia Esportiva e Cirurgia do Trauma Esportivo, e também praticante de atividades físicas, venho por meio deste Parecer Técnico, solicitar ao Poder Público Municipal que flexibilize a prática de atividades físicas durante esta quarentena, observando os limites da adequação sanitária, com base nos benefícios atribuídos à prática de esportes para a saúde e, também, no enquadramento dado pelo Governo Federal ao setor reclassificado como ESSENCIAL.

Nosso objetivo com esse Parecer Sobre Atividade Física e Saúde não é escrever um tratado sobre o tema “exercício e saúde”, nem seguir as normas ABNT para escrita de tese, mas chamar a atenção para o fato de que a atividade física é uma realidade essencial para se manter os índices de saúde, principalmente diante da pandemia de Coronavírus.

Para tanto, utilizo como base o livro: Fisiologia do Exercício, de Willian D. McArdle et. All. Publicação em português de 2013.

A Organização Mundial da Saúde define saúde como “um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas ausência de doença e de debilidade e enfermidade” (OMS: www.who.int). Essa definição considera a boa saúde como a capacidade de completar com sucesso as tarefas físicas e de preservar a independência funcional completa. Quando olhamos o ser humano por este aspecto, constatamos que seu nível de atividade física é fundamental para manter tais parâmetros, tornando-se essencial para a vida.

A Organização Mundial da Saúde também recomenda a prática de atividade física para melhorar os índices de saúde. Inegavelmente, os setores relacionados com a promoção da atividade física estão diretamente relacionados à promoção de saúde, portanto, trata-se de atividade essencial neste período de pandemia por Covid-19.

A OMS define atividade física como sendo qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requeiram gasto de energia, incluindo atividades físicas praticadas durante o trabalho, jogos, execução de tarefas domésticas, viagens e atividades de lazer.

Já o “exercício físico”, que é uma subcategoria da atividade física, diferencia-se pelo nível de planejamento, estruturação e repetitividade, tendo como objetivo melhorar ou manter um ou mais componentes do condicionamento físico e da saúde. A atividade física moderada e intensa traz benefícios inegáveis à saúde, como inúmeros trabalhos científicos sustentam.

Numa pesquisa rápida no Google Acadêmico sobre “exercício e imunidade” encontramos 885.000 referências bibliográficas. Já no PubMed são mais de 1.800 referências científicas e no Cochrane Library, que faz meta-análise dos artigos e seleciona somente os melhores níveis estatísticos, apresenta 221 referências nível A.

Encontramos resultados muito expressivos quando pesquisamos “exercise and diabetes”, com 2.030.000 referências bibliográficas; e para “exercise and cardiovascular disease”, encontramos 2 milhões de resultados. Portanto, as evidências científicas são inegáveis para os efeitos da atividade física na saúde.

Como nos afirma William D. McArdle, em Fisiologia do Exercício, “A inatividade física possui uma relação causal com quase 30% de todas as mortes por cardiopatia, câncer do cólon e diabetes. As mudanças no estilo de vida poderiam reduzir a mortalidade (…) e aprimorar grandemente  as capacidades funcionais…” (p. 860)

“Os maiores benefícios para a saúde resultariam de estratégias que promovem a atividade física regular”(p. 860)

Dessa forma, compreendemos que a atividade física regular, promovida por academias, clubes e similares, podem melhorar os índices de saúde, atuando tanto na prevenção quanto no tratamento de diversas patologias.

A atividade física é capaz de melhorar as funções de diversos órgão e sistemas como:

Função Muscular Esquelética – mantém e recupera a força muscular e óssea, a potencia muscular e a massa muscular e óssea (p. 870);

Função Neural – promove aumento da massa neuronal, perfusão sanguínea cerebral e resposta reflexa, prevenindo doenças degenerativas do cérebro e neuro-degenerativas, além das doenças articulares (p. 873);

Função Endócrina – promove a liberação acentuada de hormônios anabolizantes esteroides, como testosterona, e não-esteroides, como o hormônio do crescimento (GH) (p. 875);

Função Cardio-Pulmonar – melhora a potencia aeróbica e a capacidade de ventilação pulmonar (VO2máx) (p. 877); ninguém duvida que uma boa capacidade aeróbica é fundamental para resistir à pneumonia por Covid-19;

Função Imunológica – os achados epidemiológicos e clínicos atuais proporcionados pelo campo da imunologia do exercício (…) confirmam a suposição de que a atividade física moderada e rotineira (exercício) reforçam as funções imune naturais e as defesas do hospedeiro por várias horas, pois o exercício físico aumenta a atuação das NK-cells (Natural Killer Cells), aprimorando a capacidade citotóxica, formando uma primeira linha de defesa contra patógenos externos (p. 454)

Segundo dados epidemiológicos, a prática da atividade física moderada e regular reduz de forma poderosa o risco de doenças coronarianas. Também reduz os níveis de diabetes e hipertensão nos mesmos níveis do efeito farmacológico produzidos pelos medicamentos de controle do diabetes e da pressão arterial (p. 884).

Em outras palavras, reduz as doenças que colocam o seu portador no grupo de risco do Covid-19. Reduz, portanto, o risco de desenvolverem a forma grave da doença.

Além da prevenção, a atividade física também realiza tratamento de doenças já estabelecidas. A área que estuda isso é chamada de fisiologia do exercício clínico, cujo objetivo principal é restaurar a mobilidade do paciente e sua capacidade funcional.

Ela é capaz de atuar e melhorar a recuperação dos pacientes com quadro de doenças cardiovasculares, pulmonares, neuromusculares, metabólicos, imunológicos, ortopédicos e cognitivo/emocionais (p. 905).

Vimos, portanto, que a atividade física é um dos pilares da saúde, tanto em termos de prevenção como tratamento de doenças.

Na prevenção, atua sobre os diversos índices de saúde, melhorando a resistência e a capacidade funcional, preparando o organismo para o enfrentamento de doenças e lesões que podem ocorrer pelo acaso. Além disso, fortalece o sistema imunológico, capacitando o mesmo a se defender de diversas infecções. E, por último, extraindo o público praticante do grupo de risco do Covid-19

No tratamento de doenças, torna-se essencial (vital mesmo) para que o portador de doença crônica, como cardiopatia e diabetes, possa manter seu quadro estável, com redução real no risco de morte por estas doenças.

Por esses motivos, meu parecer técnico é de que a prática de atividade física é essencial para o ser humano e os estabelecimentos que trabalham com este ramo de atividade, como clubes e academias, devam ser enquadradas no rol das atividades essenciais neste momento crítico da pandemia por Covid-19, pois irá trazer diversos benefícios à saúde da população.

Esta solicitação vem de encontro às determinações do Governo Federal que dias atrás classificou Academias e Clubes como atividade essencial, justamente por estarem sensíveis, não somente à situação econômica do setor, mas aos benefícios que a prática de exercício proporciona para a saúde.

BIBLIOGRAFIA

McArdle, Willian D. – Fisiologia do Exercício: nutrição, energia e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

São Roque, 20 de maio de 2020

Dr. Maurício Egydio

CRM 97282 / TEOT 8976

Dr. Mauricio Egydio é médico Fisiologista e Ortopedista, atuando nas áreas de sáude, bem estar, desempenho humano, traumas e doenças ortopédicas.

Contato:
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